quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A tragédia podia ter sido menor





O verão, especialmente o mês de Janeiro, é marcado por chuvas e mais chuvas, isso é fato e faz parte desta estação do ano em países tropicais. A questão é que essa situação tem se agravado com o aquecimento global e conseqüentes mudanças no clima e regime de chuvas, que por sua vez tornam-se mais graves ao combinar-se com a ocupação desmedida e desordenada do solo nas cidades.
Os episódios ocorridos na região serrana do Rio de Janeiro e ontem a noite na cidade de São Paulo e outras cidades (resultado do temporal que caiu ontem), e que geraram prejuízos e mortes poderiam ter sido evitados se houvesse maior planejamento da ocupação pelas Prefeituras dos Municípios e respeito aos limites impostos pelo meio ambiente.
Digo isso porque o meio ambiente impõe sim seus limites para poder manter-se em equilíbrio, e os mecanismos de ocupação urbana do solo devem respeitar estes limites, um exemplo são as áreas de morro, que dependendo de sua declividade não podem ser ocupadas por construções, devendo sim ter sua vegetação mantida intacta, e mesmo onde esta mantida, dependendo do tipo de terreno e do solo, podem ocorrer deslizamento de terra, como foi o caso de muitas áreas na região serrana do Rio de Janeiro, que estavam preservadas mas desmoronaram, sendo assim o ideal é evitar a ocupação dos “pés” dos morros também.


Em outubro do ano passado estive em um passeio na região serrana do Rio, passei por Petrópolis, Itaipava e Teresópolis. Muito me impressionou as construções nos morros, que não era só de casas humildes, mas também de hotéis, pousadas e mansões. Como as pessoas podem ver glamour naquilo e não um grande risco e desrespeito ao meio ambiente?
Um outro exemplo é a ocupação das margens de rios. As margens de rios devem ser mantidas pela chamada mata ciliar, que pode variar de 30 m a 500m de largura dependendo da largura do rio. Estas áreas funcionam literalmente como “cílios” dos rios, protegendo-os contra materiais que podem atingi-lo carregados pela água da chuva e servindo para amortecer as cheias. Sendo assim, beira de rio não é pra ser ocupada por construções, pois quando há episódios mais severos de chuvas elas inevitavelmente são ocupadas pela água.
Por sua vez as cheias dos rios e inundações se tornam mais severas quanto mais o solo é ocupado, já falei algumas vezes sobre isso aqui no blog. Quanto mais impermeável tornamos o solo de nossas cidades, ou seja, quanto mais concreto, cimentados e asfalto é usado pra substituir gramados, jardins, parques, mais a água da chuva deixa de infiltrar no solo, e conseqüentemente mais rapidamente chega as partes mais baixas da cidade e nos rios, resultando nos alagamentos e inundações.
Muitos destes problemas só podem ser evitados com políticas públicas que orientem melhor a ocupação do território, pois muitas pessoas desconhecem estas informações, e outras, como no caso das vitimas do desastre na região serrana do Rio, não possuem outra opção de lugar pra morar que não estes.
Porém outra parte destes problemas pode ser solucionada por nós mesmos que os conhecemos ao fazermos algumas de nossas escolhas, como é o caso do relacionado a impermeabilização do solo. Em nossas residências podemos optar por pavimentos semi permeáveis para cobrir calçadas e quintal, e ampliar o máximo possível áreas gramadas e de jardim. Isso colaborará com a infiltração das águas das chuvas, diminuindo conseqüentemente os episódios de alagamentos.

Olha algumas idéias:





Por isso, eu acredito que os programas de noticia da TV não deveriam somente apontar a tristeza e o sensacionalismo dos desastres, mas sim aproveitar essa sensibilidade nacional para mostrar o que podemos ir fazendo para evitá-los e nos mobilizar para cobrarmos melhor planejamento urbanístico e de habitação.

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